sexta-feira, 14 de julho de 2017

Resenhas marginais - FAVELA MORAR NELA TODO DIA.


Resenha da obra: Favela – pra quem viveu e já viu, de Alexandre Peppe.




FAVELA MORAR NELA TODO DIA.
Por: Germano Gonçalves – O urbanista Concreto.

Esta resenha é escrita pra você que acredita na literatura urbana marginal periférica.
Salve!
Algo de notável ao ler a obra de Peppe, que nos traz com um belo romance em se tratando de literatura, mas aqui ele discorre sobre os acontecimentos, sofrimentos, ferimentos e vivência do dia-a-dia da favela, de quem realmente vive ou viveu nela, e mistura tudo isso, como sobrevivência, nos mostra o que é escolher um caminho, um destino e um estilo de vida. Em se tratando de vencer na vida a qualquer custo. O notável aqui fica nas palavras de Peppe, pois aqui a frase:
“O crime não compensa” cai em contradição, ou ao menos faz o leitor pensar, e sabem por quê: Logo na introdução da obra ele já nos mostra que se fomos entender a favela pelo dicionário, seria uma grande piada, pois a favela vai, além disso, é um mundo.
A obra por sinal, muito bem escrita, carregada de elementos naturais de uma localidade, pois ele nos fala dos jovens, das crianças, e das pessoas que vivem na favela, são pessoas honestas, nos mostra que na favela, pobre é aquele de espírito, o soldado do cão, e ainda por cima tem os Zé povinhos.
Aqui não cabe avaliarmos o autor, mas sim sua obra em termos literários, essa resenha a qual tomei liberdade de escrevê-la após a leitura da obra, procurarei passar para o leitor, o quanto é importante ler está obra, como as obras clássicas de nossa literatura, aqui caro leitor possa ser que encontre ficção, mas a verdadeira ação esta em cada passo que o autor nos dá no decorrer do romance, e nesses passos o autor nos traz, as injustiças e os descasos públicos, perante a favela, a polícia corrupta, os governantes irônicos, os religiosos charlatões e o tal jeitinho brasileiro que é imposto, todo mundo querendo se der bem.
Vamos adquirir sim essa obra, pois ela é uma arma que devemos carregar, porque ela mostra aquilo que a mídia sensacionalista jamais irá mostrar como é uma favela. O autor nos mostra na obra o que a TV faz com a população, fala dos programas, capazes de causar impacto, de chocar a opinião pública, sem que haja qualquer preocupação com a veracidade.
O autor ainda nos faz uma sugestão sejamos filósofos e tornemos pensadores, é disso que a favela precisa.
Não que eu tenha que ser breve, mas tenho que me ater, aos detalhes e a minha verificação sobre a obra, daria para escrever a obra da obra, mas aí é com Peppe, ele sim soube fazer uma obra dessa natureza, por tanto, caros leitores vocês vão se deliciar nas páginas deste livro.
Quero aqui mencionar um pouco de que vão encontrar no livro, os capítulos estão bem colocados, uma estética harmoniosa, pois o autor nos apresenta um destaque em todos os títulos dos capítulos, temos a ideia de que os textos dos capítulos realmente vão causar impacto; chocante. Possa ser que seja um estilo próprio do autor, já que em outra obra sua, que não vou citar aqui o nome, ele também faz uso deste estilo.
Esta obra pra quem não é da favela vai sentir-se na própria favela, e quem já é vai ter orgulho de ser. Já que o autor passa por vários momentos ocorridos na localidade, e nos traz as amizades e as sinceridades do povo que habitam o espaço. As incertezas e as certezas de quem quer viver na favela para a favela, nos atenta para a realidade do crime, das drogas, mas também da fé e da arte, para aqueles que querem se aventurar nas noites, junto aos eventos espalhados pelos quatros cantos da favela.
Nesta obra você leitor vai fazer uma viagem, volta à favela em 191 páginas, vai se deparar com tudo o que rola dentro das favelas e nas periferias, pois o autor menciona muitos bairros da Zona Norte, e também faz um relato de todas elas, Sul, Leste e Oeste, onde o reduto era o samba, agora o Funk. Favela é lugar de Samba, Favela é lugar de Funk, de crianças, de adolescentes, jovens e adultos e tudo um pouco. Favela é lugar de samba, Favela é lugar de alegria. A noite vem chegando, o transito de domingão vai diminuindo. O Samba come até as últimas, (p.64).
É do saber que estamos falando da favela, e favela também é lugar de bem. Gostei muito da passagem em que Peppe nos traz uma ideia, mas sem contraste nenhum, nem ao menos social – “Se o que acontece em VEGAS fica em Vegas, o que acontece no BAILE fica no Baile” (p.53), um alerta de tudo que rolar em um baile Funk, ou até mesmo na favela, fica somente com quem frequenta, pois na favela a união prevalece. Mas o autor com certeza vai prender a atenção do leitor com as menções que ele faz com o pessoal da música e toda uma personalidade que envolve a favela como símbolo de uma nação.
Mas caro leitor isso eu tenho que mencionar, o livro é forte, é pesado, com passagens que vai te indignar e até mesmo te revoltar, (...) e a velha acusa Jackeline de seduzir seu desprezível e imprestável marido e a expulsa de sua casa (...). (p.84).
Se o livro é pesado; contém temas adultos, também nos leva a fazer uma reflexão: “Ninguém está nem aí pra Favela”. Aqui só chega policia querendo extorquir os traficantes, perseguir usuário, maltratar o pessoal humilde e mostrar poder para as pessoas honestas. Aqui não chega pavimentação, investimentos governamentais em famílias e na urbanização e ações sociais, passam longe, ninguém da oportunidade para quem mora na favela, mas como o livro diz, favela pra quem viveu e já viu, sabe como que é! Eu arrisco dizer:
Se cadeia é pra homi, favela também é.
Não posso deixar de dizer, que o romance traz toda uma vivência de uma favela, A fé, a cocaína, o crak, a cahaça, o samba, o Funk, as religiões, mencionando os crentes, no capítulo: “O Deus dos Crentes” (p.82), mas sem discriminação ou preconceito contra religiões. Por tanto, caro leitor não vão passar despercebidos pelas páginas desta obra.
Quero dizer que o autor soube dissertar bem a temática do romance. Além disso, tornou o tema mais real, escolheu parte que domina sobre o assunto tratado, pois mostra que tem bagagem e, na obra tende a voltar à condição verídica dos fatos o original, ao ponto de origem que aparece com regularidade, muito boa essa obra, aposto que quem ler não vai se arrepender, e possa até ficar ansioso para ler mais obras de Peppe.
Essa obra tem que entrar nas favelas, se já não entrou, mas também tem que entrar nas escolas, pois os jovens ainda hoje em dia, repugnam quem reside na favela, ainda agem com atitudes agressivas – sejam elas verbais ou físicas – que acontecem sem aparente razão ou motivação clara.
E esta obra pode ser um fator determinante para que se compreenda essa situação, levando o conhecimento para os demais em forma de livro, pois podem pensar que se um escritor escreveu sobre a favela é porque ali também é lugar de gente importante.
E posso afirmar que aqui nesta obra, não tem nada de que os jovens já não sabem, em relação a drogas, sexo fácil, tráfico, dinheiro fácil e toda uma situação cotidiana de um lugar chamado favela, eu disse aqui o livro é forte é pesado, mas não é nenhuma alusão ou apologia a qualquer que seja a narrativa, mas sim um alerta.
Para encerrar essa minha resenha, quero colocar aqui alguns pontos que achei importante, perante a obra e aos personagens Wellington e Digo, atente-se leitores para: “No último culto de Digo em sua igreja sua ministração foi...(p.103) leiam. Ajudar pessoas carentes e desfavorecidas, isso era o que Digo sabia fazer melhor.
E não poderia de encerrar essa, dizendo a vocês leitor que o romance está em volta do personagem Rafinha, o Da Corte, que a meu ver, e passo aqui pra vocês leitores, mas que vocês terão a própria opinião após ler o livro, eu particularmente, entendo que o autor nos quer passar que temos que pagar um preço alto pelas nossas escolhas, e tem quem paga pra ver, pois tem sempre aquele que acha que o céu é o limite.
Procurei aqui não mencionar muito das páginas do livro, porque quero que você leitor compre o livro e, tire suas próprias conclusões, mas quero adiantar que vale muito a pena ler esta obra, por que ela é escrita sobre a favela, mas também é para o pessoal da academia apreciar, e sentir o gosto da FAVELA MORAR NELA TODO DIA. Boa leitura.

Valeu!


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