quinta-feira, 27 de julho de 2017

Poema - O grito!

O GRITO
Germano Gonçalves – O urbanista concreto.


Poderia ter sido sem a exterminação, dos índios, sem a escravidão do negro, sem as injustiças sociais, mas tivemos que passar por tudo isso, e não aprendemos ainda, até quando será que teremos que gritar!



O GRITO

Hei Jão!
Empurra não.
Grita não.
Presta atenção.
Grite comigo!
Que eu grito contigo.
Psiuuuuuuuuuuuuuuuuuu
Não posso ficar em silêncio
Com essa situação.
O ônibus não vem.
Metrô não tem
Saúde parou
Escola fechou.
O meu grito
É para ecoar ao tempo
Espalhar ao vento
Aos quatros canto do mundo
Pra dizer que não quero
Participar do seu assunto.
Ecoar por toda cidade.
Grito pela liberdade
O meu grito é um grito
Em lugar qualquer
É para o homem e para mulher.
Para todos os seres humanos.
Meu grito é para
Os meninos e as meninas
Fazerem rimas.
É para que os meninos não fiquem na esquina
Esquina pedindo esmola
Lugar de criança é na escola.
Um grito para o senhor e a Senhora
Pra contar a verdadeira história
Do índio que sumiu
Do negro que da sua terra partiu.
E que é
A semente da existência
Resistência.
Reis e rainhas, príncipes e princesas
Fruto da realeza.
E todo homem que aqui nasceu é negro sim.
O grito como o ato revolucionário
Os punhos para o alto.
Psiuuuuuuuuuuuuuuu Pisiuuuuuuuuu
Não deixem que calem
Não deixem que falem
Não deixem que parem
O meu
O seu
O nosso grito,
Que não fique em silêncio.
O grito dos revoltados.
Gritem comigo que eu grito contigo.
Li – ber – da – deeeeeeeeeeeeeeee!!!



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