domingo, 30 de outubro de 2016

MANIFESTO MARGINAL


MANIFESTO LIVRO LITERATURA URBANA MARGINAL.
MLUM/16 – Novembro 2016.
Por: Germano Gonçalves.

Primeira leitura, apresentação a público no Sarau do Urbanista Concreto..
Primeira publicação site jornalirismo.com.br/literatura.

Antigamente o ato revolucionário era os punhos para o alto, agora é a caneta em punho, para escrever literatura urbana marginal, e registrar os fatos.
Essa é a nossa voz e a alegria da periferia, todo homem tem o direito de andar na estrada que quiser, pois é capaz de realizar seus feitos e suas obras.
Criaremos nossos caminhos com nossas próprias mãos, "Sejamos nós os marginais, e escrevemos tudo que nos diz respeito, só escrevemos do que é nosso”.
De um passado não muito distante, de uma herança que o Estado nos deixou.
Literatura urbana marginal sim senhor! A nossa arma é o livro na mão.
Quando queríamos estudar, nos vigiávamos.
Quando queríamos ler não publicavam.
Quando queríamos trabalhar éramos escravos.
Quando queríamos moradia, esperávamos dias.
Quando queríamos salário, nos davam cestas básicas.
Quando era feriado ficávamos enfileirados.
Quando queríamos ouvir música éramos censurados.
Quando pensávamos em política era subversão.
Quando tínhamos iniciativa nos reprimiam.
Quando era fim de semana nos controlavam.
O Estado não está nem aí pro povo do BRASIL.
A literatura urbana marginal vai ser se já não é, uma escola literária pra entrar na literatura brasileira, onde os escritores que querem se aprofundar nos assuntos que mais os fascinam. Que querem desenvolver as habilidades que julgam imprescindíveis para fazerem o que querem fazer, e para serem quem elas querem ser.
Na literatura urbana marginal apóia-se na ideia de literatura democrática, um conceito que surge a partir da cultura de periferia, um movimento global de transformação cultural em prol da autonomia e da co-responsabilidade.
Acreditam-se todos nós temos plena capacidade de decidir por nós mesmos, os rumos da nossa cultura. Na verdade, mais do que isso: acreditamos que podemos criá-la, desde que estejamos conectados a pessoas que nos apóiam e inspiram.
Tem-se que transformar a literatura urbana marginal em uma escola literária, para que não fiquem somente na individualidade dos escritores, imersões de aprofundamento focadas em temas específicos, de onde se é oriundo com uma escrita livres co-criadas, e às vezes até oferecidas pelos poetas periféricos, pesquisas baseadas nos temas de interesse dos escritores e toda comunidade, uma rede colaborativa de publicações e eventos abertos como Congressos, Saraus, Palestras etc.
São pessoas que queiram participar desse gênero literário, sem que sejamos taxados, sem que se seja uma rotulação. O povo aceita tudo, agora precisamos criar o espaço dos pensamentos que sonhamos que vamos vivenciar, ou melhor, que vamos escrever; Sim escrever!
Contar a história a verdadeira história, não àquela que fizeram nós entender que os bandeirantes eram heróis em nossos territórios, que os negros eram nosso escravos, sem saber, ou melhor, informar que o negro é fruto da realeza, príncipes e princesas em sua terra, não como os tratou, objetos de estudos, pesquisas de uma elite que financiou europeus para apagar, a cor de suas peles, suas culturas e sua história, e justificar eles sem alma, por que Caim pecou?
Acabaram com nossa verdadeira língua, acabaram com nossos antepassados, misturaram nossas cores, inventaram padrões de vida, classificaram-nos no meio social, inventam adjetivos e suas frases pra não avançarmos o sinal.
Dinheiro não traz felicidade.
A esperança é a última que morre.
Pouco com Deus é muito.
Não mais escolheram por nós, somos guerreiros (as) somos capazes, e entraremos em qualquer lugar, pois sabemos entrar sem machucar, sem maltratar, apenas com a palavra nas margens da folha de papel que será registrada e eterna, publicada por nós mesmo, vai alcançar a mídia, a academia e a elite deste país que não reconhece quem de fato construiu esta nação.
O pedreiro que no prédio não pode entrar, que não tem casa pra morar, nem na escola seu filho matricular, o carpinteiro que não pode na cadeira sentar, o homem que planta na roça e nem pode se alimentar na hora.
Se a literatura urbana marginal andar junto com a cultura e a comunidade, amenizaremos as impunidades, mais cultura menos policia, deixa a polícia cuidar, proteger o Estado, que é esse o seu papel, e nos deixem escrever, deixemos não, nós vamos escrever, para que não aconteça com nossos jovens de periferia, negros e pobres desaparecidos sem pistas, encontrados pela polícia, e para que não privem da liberdade, pois assim age a autoridade.
São sempre os rapazes pacatos, alguns até sem saber de nada entram para um assalto, mas muitos são forjados, aí ninguém tem piedade, só sabem julgar, pensam que só acontece com o outro, Assim age a autoridade.
Não tem essa de primário, é julgado como otário, não quer ajudar só querem complicar para dinheiro ganhar, se for culpado ou inocente, tudo fica pendente.
Homens fortemente armados usam da violência fica feroz com uma máquina na mão, quebram os dentes, e levam vantagem, ganham medalhas são condecorados, e os jovens depois que se vão tornam indigentes, era um rapaz inteligente, sério? Assim age a autoridade. Tudo é maldade nada de oportunidade.
Na cela trancada aprender a malandragem, usar tatuagem. O tempo é bobagem.
Aprender o que?
Regenerar é farsa da tirania, se acabou a maioridade o jovem perdeu a liberdade, a vida marcada não é mais asseada, vive humilhado. Assim age a autoridade.
Mas nós estamos na missão, pra preservar e denominar o que é nosso o autentico vocabulário se do índio tiraram suas palavras, suas tradições, se assassinaram sua cultura, para que vivemos sobre suas alienações, de um poder que é regido pelos que se acham ditos donos do mundo, não!
Essa terra é minha, é sua é nossa, dela podemos tirar o nosso sustento, nela podemos andar nos lavar nos rios, lagoas e açudes, se alimentar das frutas e sossegar a sombra de uma árvore, inventaram a tecnologia, o livro digital, tudo isso para a propagação do capitalismo que já mataram nossos antepassados, e ampliar o consumismo, inventam datas comemorativas, para as crianças das nossas comunidades quererem o que só o dinheiro pode trazer.
Em nosso escrito da literatura urbana marginal, sobreviveremos a tudo isso, com a caneta que faz calo nos dedos, como os cortadores de cana, que deixavam o sangue nos canaviais e não tinham valor, deixaremos nosso sangue nas folhas de papel, como já alguns muitos registrados e considerados, escritores de periferia está ganhando prêmios, chamando a atenção dos acadêmicos, essa literatura urbana marginal que muitos ainda temam em dizer que é só literatura brasileira, não!
Ela tem uma linguagem própria, tem um cotidiano, não quero citar aqui autores consagrados do mundo da literatura universal, para provar que também eram marginais, nos tempos das escolas literárias e suas fases de antigamente, como no barroco com o poeta “Boca do Inferno”, entre outro como mundo a fora, Kafka ou talvez um Charles Bukowski, por causa de suas loucuras.
Mas voltamos aqui na nossa literatura urbana marginal, e podemos dizer nossa, por que nós da periferia, que vivemos nos guetos, favelas e vilas somos os verdadeiros donos desse imenso universo e somos livres, para pensar e agirmos, e esses pensamentos vamos expor nas letras, vamos transformar em livros para entrar nesses locais, é uma literatura brasileira sim, mas com uma pegada diferenciada da academia brasileira de letras, pois está a margens das cadeiras literárias, das grandes editoras, e descreve o descaso público que a periferia sente na pele, a pluralidade que se tem, confrontando com assuntos sociais, se já escrevia de suas regiões antes, escreviam de seu povo, tinha o aval do poder público, com cargos no funcionalismo publico. Não é mesmo seu Machado de Assis, Lima Barreto, Manoel Antônio de Almeida, Carlos Drummond Andrade, entre outros.
A literatura marginal está aqui do nosso lado, aonde não vem ninguém, onde passam longe, onde diz terra de ninguém, zona lost, zonas tratadas com desprezo, como tudo fosse uma zona só, agora querem pagar de bonzinho quando escrevemos temos que escrever para o poder, não!
Escrevemos do que é nosso, do que sentimos, do que temos, do que queremos, pois as coisas são as mesmas, mas não são as mesmas pessoas.
E quem são essas pessoas que estão separando a literatura, na favela e nos guetos escrevem-se uma coisa, no centro e na elite vão escrever diferentes? Sim escrevem literatura brasileira que nós escrevemos literatura urbana marginal, ou seremos uma escola literária, pra entrar nessa literatura brasileira, mas sem cargos públicos, mas com coragem e responsa que respeito é pra quem tem, assim já dizia o poeta (sabotage), né não Akins Kinte “Na humildade sem maldade.
Nós vivemos sempre ouvindo os caras, que sempre estão nos boicotando, agora que chegou a literatura urbana marginal para boicotar, essa tal de literatura brasileira, que os moleques não entendem nada, como já dizia o poeta: “Olha quantos livros na minha estante, servem somente pra quem não sabe ler” (Raul Seixas), não querem deixar fazer o nosso, o nosso não serve? Aí temos que entregar o ouro pro bandido, e viver na alienação. Não!
O que eles querem é isso mesmo, que não crescemos que não acordamos pra vida, que destruímos livros, que não vamos às escolas, que não falamos que não escrevemos que continuemos nas favelas, nos guetos caídos nas vielas, usando drogas e pegando o que não é nosso, pra depois te julgarem, nos rigores da lei de um Estado falido,
É chegou à hora de nos valorizar, mostrar o que somos e pra onde vamos, não temos que ficar ouvindo não, temos é que fazermos ouvir é nóis na missão da cultura pra não acabar com a estrutura do lugar onde somos oriundos, e pra finalizar, apesar de que tenho muito mais a manifestar, vamos tocar o bonde.
E agora vamos escrever sim, pra quem faz as leis ver, e sabem por quê? Somos marginais sim, e o legal em tudo isso é que não precisamos provar nada pra ninguém. Somos homens iguais a você.
O objetivo desta literatura marginal é reunir um grupo de pessoas interessadas em formar ações de incentivo à leitura.
Do gênero literatura urbana marginal e arregaçar as mangas para fazê-la acontecer. Não vai ser fácil, mas vai ser gratificante!

Marginais.
Reconhecimento a:
Walter Limonada.
Guilherme Azevedo,
Ari Batera
Alessandro Buzo.
Tubarão do lixo.
Pedro Moreira.
Guilvam Miragaya
Alba-Atroz
Enide Santos
Marah Mendes.
Luciene Santos
Wesley Barbosa.
Parceiro do Gueto
José Severino Pessoa.
Mano Cakis.
Tiago Cordeiro.
Almerio Barbosa.
Cria do Gueto
Reginaldo RC
Danilo Paulo
Tina Curtis..
Andréia Gonçalves (Viajante do Trem).
Escobar Flanelas.

E a todos os parceiros (as) que tem acompanhado o LUM e o Sarau do Urbanista Concreto, na missão graças a vocês pela consideração.

2 comentários:

Paulinho Dhi Andrade disse...


Literatura Marginal
A literatura considerada por muitos como marginal vem conquistando cada vez mais seu espaço entre aqueles hoje considerados acadêmicos.
E a prova disso é o crescente número de escritores e poetas periféricos que surgem dia-a-dia em nossos subúrbios ocupando um espaço antes vago e esquecido pelas autoridades pseudoculturais. E o mais importante de tudo isso é que a arte produzida na forma escrita não deixa nada a desejar. Talvez a grande diferença entre um escritor periférico e um já renomado no meio literocultural seja a vivência dos fatos. Parece que o escritor periférico vive ou viveu o que escreve. Muitas vezes sua narração leva o leitor a relembrar fatos vividos por ele quando criança ou ainda mesmo quando adulto, pois parece que a periferia não estipula diferença entre os que nela habitam. O simples fato de sentir grandes necessidades sociais, cujo desprezo se faz presente a qualquer momento, faz com que o artista despeje uma quantidade esmagadora de verdades cruas em seus versos ou em suas prosas. Está bem claro que não somente a literatura vem conquistando seu espaço no meio artístico, pois temos também o teatro com sua ironia e deboche causadores de grandes conquistas devidos a uma imensa coragem despertada nos corações de um povo intitulado suburbano. Temos também, como se fossem facadas na arrogância política, as pinceladas marcantes dos artistas plásticos sendo que muitos para se tornarem o que são hoje tiveram que, até por opção, abandonar o hábito da pichação.
Muitos escritores periféricos sabendo ser uma ilusão sobreviver da arte seja ela representada, escrita ou pintada tem como ofício um trabalho formal ou informal, sendo que para poderem editar suas obras muitos deles recorrem ao mais simples e conceituado meio de exibição escrita, o famosíssimo FANZINE, onde se é possível publicar um grande número de texto por um preço quase simbólico e até mesmo de uma forma gratuita participando apenas como colunista ou um simples colaborador.
Parece que a literatura marginal recusa-se a deixar tal alcunha. Até porque muitos leitores se recusam a entrar mar adentro com suspeitas de não apreciarem muito o que poderão encontrar.

15/09/2007
Paulinho Dhi Andrade

Alexandre Morais Paulino disse...

Parabéns pela lucidez Poeta.