domingo, 12 de abril de 2015

RESENHA - Livro "Não temos muito Tempo" Mano Cákis.


APROVEITEM O TEMPO.
Por:: Germano Gonçalves.

Quanto tempo ainda nos resta? Muito eu diria, ao ler o livro de Mano Cákis, e sabem por que, me fez lembrar-se de uma frase que sempre costumo usar; “O tempo é a gente quem faz quem faz o tempo somos nós, na mente de quem for capaz”, inspirada no meu grande influenciador cantor, compositor e poeta Raul Seixas.
E uso este título “Aproveite o tempo”, pois o tempo é os dias em que vivemos então me vem outra inspiração ao ler a obra de Silva, “Carpe diem” (expressão em latim que significa “aproveite o dia”), pois não temos muito tempo, não significa que o tempo vai parar, ou acabar, que será o fim do mundo, é um alerta para salvarmos a humanidade.
Mas aqui vou falar de Claudio Roberto da Silva, o Mano Cákis, e lhes dizer que o tempo vai, mas as coisas ficam, e já nas primeiras páginas desta singela obra em que Silva quis também descrever sua vida, ele vai te surpreender com “Betinho, um herói de verdade” (p.11) onde ele traz uma conformidade com o real, de um cotidiano vivo, pois os heróis são de carne e osso, confrontando com as injustiças sociais. Caros leitores estarão diante de um escritor, poeta e professor de história, pra lhes contar a verdadeira história, sem essa de fantasia, o mundo do faz de conta.
Não é como não ter muito tempo, é como ter todo o tempo do mundo para ler essa obra, parece que tenho que mencionar todos os contos dessa obra, pois Silva, não me dá trégua e nem terminei o primeiro conto e, lá vem ele com um mais belo ainda usando de um suspense meio a uma ironia maliciosa, que vai te apanhar de improviso, no conto “Sobre a mesa, um corpo fatiado” (p.15), e acho que não precisa estudar física para saber que um pedaço de pizza também é um corpo, muito bacana este conto, poderia comparar com os de Voltaire de Souza, um pouco mais carregado na escrita, mas não muito tão forte, pois Silva não assassinou ninguém, só um toque de tensão forte no conto, que como muito se diz nos ditados populares; acabou em pizza. Essa é uma característica que notei e que achei mais atraente em sua obra, sua ironia que se associa ao humor em certas situações, isso pode ser um grande poder literário, poderá notar leitor em; “Cansei de você” (p.41).
Mas que ao decorrer da leitura irão encontrar com vários corpos sendo aniquilado, com este estilo que o autor me revelou, trazendo coisas que praticávamos antigamente, nos trazendo até saudades, e aí vamos aos deliciando nos contos de Silva, no seu modo de expressar, quando você leitor pensar que é, pode ser, mas não é, ou é depende de sua interpretação, e isso vão te prender como me prendeu do inicio ao fim, Silva passa nesses contos toda uma injuria que está impregnada na sociedade, maus tratos, grosserias, falta de respeito que sempre afeta os menos favorecidos, sem defesas e tem que suportar sabe-se lá até quanto tempo.
Nos mostra assuntos que estão no cotidiano das comunidades, acontecimentos que sabe muito bem dar um toque de poesia nos mesmo, usando uma carga rica de elementos literários no decorrer dos contos e suas poesias, Silva esta aí para nos fazer uma lembrança com o seu “Não temos muito tempo”, mas uma alerta também temos que amar nossas, esposas, crianças e ser solidário com as pessoas, e correr contra o tempo quem saiba teremos um mundo melhor para se viver, melhor e engraçado, pois em “Identificação” (p.43), nos mostra que as pessoas hoje em dia estão tão cheio de culpas, que quando o caso não lhe diz respeito, eles têm o reconhecimento duma coisa ou dum indivíduo como os próprios.
E o que observei nos contos de Silva, o diálogo está muito presente, e envolvem muitos personagens, entre, pais, filhos, vizinhos, crianças e toda comunidade entre os sentimentos de contentamentos, e manifestação contra a autoridade estabelecida, consegue caracterizar-se pela variedade de temas e pelo interesse na exposição de ideias.
Não sei se é do interesse do autor, mas ao passar as vistas nas páginas desta obra em questão, sinto que o autor nos mostra o quanto quer vivenciar todos os seus grandes problemas. Mas para deixar claro que para ele é muito útil, e ele tem que explicar, ou ao menos se fazer entender, entender os perigos que a vida proporciona os cuidados que devemos tomar como em; “Uma nova trajetória” (p.49), leia Silva, leiam a sua obra e verás que não está sozinho no mundo, e que se não temos muito tempo, temos todo tempo do mundo para mudar nossas atitudes, e enfrentar a realidade como Silva nos mostra no decorrer de sua obra.
O que podemos repara é que o autor sabe escrever e bem, a sua fala, a fala da comunidade, e sabe colocar isso no papel muito bem como em: “Buraco, vazio e invisível” (p.57), e assim essa obra vai surpreendendo a cada página desfolhada, a necessidade de pelejar pela paz entre a humanidade, não uma paz armada, mas sim uma paz que nos traga sensibilidade sem aqueles constrangimentos de machucar alguém moralmente, que chega ao ponto de entrarem em atrito, as pessoas e os povos, isso ele nos trás muito bem em; “Como dizem os brancos: A coisa vai ficar preta”, (p.65), um de seu melhor trabalho na obra, assim eu vejo.
Mas certo de que toda a obra é bela, ainda mais se tratando de seus poemas que vem com uma intensidade de quem faz uso da força bruta, mas misturando com uma virtude que consiste em suportar as dores como ele mesmo afirma ao iniciar suas poesias, “Poemas violentamente pacíficos” (p.69), e assim nos traz em seus versos, ode as mulheres negras, ao carinho e o amor que ele diz estar em extinção entre as pessoas, faz um alerta a onde estão nossas crianças, afirma que tem sim um coração cheio de amor pra dar, mas cadê o receber, que tudo está ligado a uma tecnologia que vem destruindo os sentimentos e que até os contos de fada se transformaram em um ato ou efeito de fingir; simulação, fingimento, e assim vai dando nome aos bois sim, como no caso de sua poesia “Abolição” (p.82), que está longe do extermínio, pelas marcas deixadas pelo passado e a repressão ainda existindo no presente, coloca muito bem tudo isso e o que já mencionei aqui com habilidade que foi conquistando na sua vivência dia-a-dia e se tornou o grande poeta que é respeitado e com embasamento em seus ideais.
Poderia descrever aqui todos os poemas de Silva, mas como ele mesmo diz, não temos muito tempo, e eu preciso ser breve nessa singela resenha, a este grande poeta, que aprendi a admirar, pelo seu caráter, pelas suas palavras e pela sua escrita, que você leitor ao ler essas páginas vai se deparar com cada verso do poeta, sentirá que ele viveu e, presenciou muitas passagens aqui nesta obra, e que nem tudo está perdido, precisamos de nos sentir vivo, ser nós mesmos ter uma identidade e ter a consciência de nossas raízes.
Suas poesias em se falando do modo que percebi, facilita e muito o entendimento ao leitor, como o leitor poderá ler dando pausas para pensar, pois vem em versos que às vezes estão em tercetos e no mesmo poema encontramos quartetos e até mesmo quintetos, mas isso fica como observação, pois Silva usa mesmo é dos versos livres que não seguem nenhuma métrica, pois o poeta tem liberdade para definir o seu próprio ritmo, tanto que em alguns contos que li poderia classificar como poemas em prosa, pois soube colocar em seus textos uma autonomia poética não constituída de versos, tendo neles a harmonia, o ritmo e a emoção de seu estímulo ao pensamento ou à atividade criadora.
Então leitor nós não temos muito tempo, precisamos agir de imediato, leiam a obra de Silva e saiba esse tempo em que o poeta nos fala, pois esta obra é também designada a meu ver, por uma escrita moderna, que se enquadra na literatura marginal periférica divergente, na qual se destacam elementos do modernismo e muito bem colocado pelo nosso poeta.
E vamos em frente sempre, combatendo essa diferença social, essa discriminação, mas com consciência que o livro é a nossa arma na mão, e com ela podemos atirar para acabar com as injustiças sociais.
Mano Cákis não pare no tempo, pois não temos muito tempo, aproveite o tempo, valeu!

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