terça-feira, 14 de abril de 2015

RESENHA DO LIVRO: Sob o azul do céu – histórias das ruas, de Marcos Teles.



SOBRE O VERMELHO DA TERRA DO SOL.
Por Germano Gonçalves.

Vilas, vielas, ruas e cortiços, se misturando com trabalhos, afazeres de pequenos ganhos avulsos e/ou tarefa ocasional que os possibilita; biscate, gancho, galho, viração. Tudo isso está Sob o Azul do Céu, onde quem vive na rua não entra em grandes arranha-céus a não ser pelas portas do fundo, e vive sobre o vermelho da terra do sol, não encontrei começo melhor para relatar aqui o livro de Marcos Teles – Sob o Azul do Céu – histórias das ruas, um grande desafio pelo grande escritor que Marcos Teles é como notaram aqui caros leitores.
Não tendo pretensão de querer ser contrário à realidade, Teles mencionará nesta obra os que realmente encontram-se em situação difícil, em angústia, em miséria, de quem luta para obter o que se deseja; ir à vida, e muitos sem ao menos a perspectiva de dias melhores, aqui caro leitor tenho a convicção de que você ira se emocionar e muito, por tanto, já anúncio leiam Sob o Azul do céu, e verás que as histórias de ruas te darão outra visão de mundo.
Um mundo paralelo, ou um mundo com um caráter duplo, leiam e escolha a sua versão, pois o autor em seus escritos soube colocar muito bem todos os contextos de um novo mundo, ou um submundo dos marginais ou delinquentes vistos como grupo social organizado, mas que ao meio de tudo isso teve as alegrias os bate papos e o inicio de amizades, e logo no capítulo denominado; “Descobrindo um novo mundo” (p.16), o autor descreve muito bem esse ambiente próprio, e descoberta em descoberta você leitor vai vivenciar muitas outras que te prenderão a atenção, e vai ter a certeza de que está lendo uma obra prazerosa, que terá prazer eu não tenho duvida, mas também descobrirá novas funções, ou antigas que a sociedade não dá valor algum e, poucos conhecem os chapas (ajudantes que descarregam mercadorias de caminhões) “Preciso de Chapas! Preciso de Chapas!” O cara tava quase rouco de tanto gritar no meio da rua. (p.25).
Se puder dizer assim profissão de quem mora na rua, e nosso herói que Teles traz para a história enfrentou essa labuta, em um local enorme onde se encontra um também enorme mercado de frutas, trabalho árduo, mas trabalho, que vem com as noites de ano novo, em que todos esperam coisas boas, mas que nos próximos dias, labuta novamente.
E vamos passando as vistas na obra de Teles, deparamos com as consequências que os problemas sociais nos trazem, nos afetam o descaso do poder publico, nos cola em cada situação, somos quase que obrigados a presenciar tragédias, solidão e dor trazidas ainda mais por notícias sensacionalistas, que tem por habito causar sensações nas pessoas, dar aspecto trágico, e só podem se lamentarem, mas combater em favor da população, é melhor afirmar, como a frase na obra: O jornal afirmava: “Não há sobrevivente” (p. 29), E no capítulo “Todo Tempo é tempo de Deus”, o autor nos traz como o poder público age quando a desgraça atinge o pessoal menos favorecido,... Muitas autoridades compareceram ao funeral... Ficava o tempo inteiro se acusando, uns esbravejavam dizendo que a responsabilidade era da prefeitura, outros que era do governo do Estado, mas no fundo não pareciam importar com as vidas que foram perdidas... (p.31) É sempre assim, e os olhares dos que aqui mencionei em termos de amizade, os amigos com semblantes de de mágoas, e aflitos.
É ou não, uma obra que lhe vai comover, e isso leitor estou só no começo, e vou só vou expor aqui aquilo para se tiver uma noção desta obra, imagine ao ler a mesma, guarde está expectativa, e ao acabar de ler os relatos aqui, corra em busca do que esta sob o azul do céu.
E se o autor nos traz a amizade que se faz em sua história, nos traz também a solidariedade, que entre as pessoas mais humilde crescem veemente um acolhendo o outro e seguindo em frente até a próxima amizade, pois o autor coube nos mostrar o conhecimento que se tem ao morar em rua, ser um sem teto, um descamisado de pés no chão, tem sim o conhecimento dos estudos das práticas da vida; experiências e tudo o mais, mas também o conhecimento de pessoas, o encontro com os mais variados seres humanos, “Quando se vive nas ruas a gente acaba conhecendo tipos de toda espécie, alguns revoltados, dementes e outros engraçados, mas perigosos”. (p.37), e é isso, vamos também conhecendo Teles e sua obra, que nos mostra a realidade dos que ou aquele que foi atingido por calamidade ou flagelo, de um local muito falado no centro das grandes cidades, uns com vários adjetivos negativos, tipo boca do lixo, espeluncas, praça dos horrores, as tais zona onde, numa cidade, se aglomeram marginais, prostitutas, viciados e traficantes de entorpecentes, mas que nesses ambientes é capaz de encontrarmos pessoas que se deixa comover com facilidade; sensível ao extremo, e que tem ou mostra sentimento, sincero que afeta uma sensibilidade romanesca, isso caro leitor perceberá em seu capítulo intitulado: “Joana Preta” (p.41). Leva a conhecer pessoas, e indivíduos como ele mesmo relata perigoso, entretanto pessoas amável, carinhosa e prestadora que de da uma palavra amiga e de fé, pois quem mora na rua chega a acreditar que não tem mais solução, que tudo acabou não acredita mais em nada, mas lendo as páginas dessa obra verás que nem sempre é assim, basta persistir ter fé e dizer o que sempre digo: “Deus só da o fardo que nós podemos carregar”, e que todos nós somos filhos de um mesmo pai que jamais como também menciona Teles, nos abandona.
E seguimos em frente, mesmo coma perdas, as desilusões, lamentações, sofrimentos, abandonos se misturando com amor, carinho, amizade onde existia uma relação de responsabilidade entre pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada elemento do grupo se sinta na obrigação moral de apoiar.
Além de esta obra nos emocionar nos faz verdadeiros alertas, pois quando gostamos de alguém tentamos fazer tudo para ajudar, não medimos as consequências e o perigo que estamos correndo, mas tudo pelo amor ao próximo, encontramos esse auxílio mútuo, como um alerta no capítulo denominado; (p. 54).
Nessa altura da leitura caros leitores se confirmam que devemos ter ou mostrar perseverança, firmeza; permanecer e conservar-se firme e constante; persistir, prosseguir, continuar, pois que a vida da volta, e essas voltas vêm com o fruto daquilo que você plantou isso Teles menciona em seu penúltimo capítulo; “Simplesmente Samantha” (p.68), as coisas acontece na hora certa.
Para uma despedida se pode fazer uma festa, mesmo sabendo que muitos não gostam muito de expressões corteses ou saudosas usadas por quem se despede, afirmando que causa tristeza, mas aqui Teles fechou sua obra com chave de ouro em seu último capítulo que eu nem vou dizer “Despedida”, pois sei que outras obras deste valor virão pela frente, sempre com essa criatividade e sabedoria de escrever este conto, que podemos dizer que também é um romance pela sua qualidade, e como eu mencionei fechou a obra com o capítulo “A Festa”, (p.73), poderia colocar aqui o capítulo inteiro, mas seria injusto com os outros capítulos, e aqui a proposta não é essa, e mesmo porque não saberia colocar aqui todos os capítulos tão bem como o autor coloca em sua obra com qualidade e feição especial, e isso só pertence ao autor.
Mas vamos a festa, e o bolo a ser cortado são pedaços de um novo amanhecer, que faz recordar um passado vivido entre tantas coisas, entre tantas pessoas, as que passaram, as que permaneceram e as que vão e volta, os lugares onde se viveu, cresceu, e os lugares que explorou, as ajudas que faltaram, as que conquistaram, as pessoas boas, as que não eram tão boa assim, mas que aprenderam ter uma boa alma, pelo aprendizado que teve na vida, as mudanças em cada amigo, as alegrias, e entre perdas e ganhos se salvaram todos e pensamentos ficaram pra depois, mesmo sob o azul do céu, ou até mesmo sobre o vermelho da terra do sol.

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