segunda-feira, 13 de abril de 2015

RESENHA DO LIVRO: Profissão MC de Alessandro Buzo.



PROFISSÃO PERIFERIA.
Por: Germano Gonçalves.

Que Alessandro Buzo, já é um nome forte da literatura marginal, ou como ele mesmo afirma da literatura brasileira é fato.
E dentre tantas obras já publicada arriscar-me-ei a em resenhar uma das que li e realmente, achei de bom gosto literário o romance Profissão MC, mesmo achando que o forte de Buzo é a poesia, mas talvez por ter assistido o filme, e fiquei ansioso ao saber que iria fazer a versão literária, e por falar em versão já posso dizer a vocês leitores que está obra nos traz duas notáveis atuações do efeito de verter ou de voltar, como uma escolha, por tanto caro leitor vai te mostrar o significado de cada uma das várias interpretações do mesmo ponto, como quem se dizendo você leitor que escolhe, ou melhor, que interpreta.
Por este livro ser da periferia para periferia, onde Buzo nos atenta para o hip-hop como um salvador, não no sentido espiritual do contexto, mas como algo que nos livra de alguns perigos da vida, e nos da à oportunidade de escolhermos o que pode ser benéfico para nossas atitudes, assim como levar um conhecimento adiante, por intermédio das ideias e da vivência em locais menos favorecidos.
Se o romance de Buzo pode ser considerado o seu lado paralelo, já que seu forte vamos dizer assim são as poesias, nessa obra soube muito bem colocar uma combinação de elementos e fatores dos resultados vivido e presenciado por toda sua vivência periférica e no movimento hip-hop, como ele mesmo afirma tem orgulho de ser favela, com isso conseguiu captar e passar a realidade das comunidades, e mostrar que existem sim dois caminhos, as escolhas são nossas.
E essa captação vem em profundidade, pois Buzo é seguro no que escreve e carrega na sua obra aspectos de cunho social de uma periferia, e logo no inicio-nos chama atenção para os anos 70 (p.16) e continua nas páginas seguintes com os anos 80, relata que a vida não estava fácil, nem para os que vivem do crime, quanto menos para os que trabalham, pelos aperreios vamos dizer assim que o povo da periferia passa no cotidiano, famílias chegando, para morarem de aluguel, mães que dão a luz em seus próprios barracos, nos trás também as amizades, os colegas se encontrando.
Leitores este é um livro que vocês têm que ler, como se estivesse dentro dos acontecimentos, porque foi assim que eu li, e aí a obra fica surpreendente, e também porque trata aqui de amigos de infância, alguns se dão bem outros nem tanto, é uma corrida contra o tempo, de pessoas que se cruzam e compartilham o mesmo espaço de uma comunidade, e sua dedutiva é muito bem colocada aos personagens da obra, quem ler este romance vai se identificar, e mais ainda colocar-se entre os personagens que são amigos nessa obra, pois o estilo usado nota que é sim um aspecto formal de um ativista cultural, que considerou todo o tratamento real para impressionar o leitor, isso nós observamos em seu capítulo II, “Anos 80”, em que ele traz toda uma trajetória dos acontecimentos no Brasil e no mundo, em volta de uma copa do mundo de futebol “1986 Copa do mundo na França” (p.25), onde ele relata, a eliminação da seleção brasileira pela França, entre conversas diversas a respeito do assunto, pais e filhos e amigos de boteco, e quem esta lendo parece estar presenciando o momento, e assim de capítulo em capítulo Buzo vai escrevendo esse romance com uma característica que posso afirmar escreve pondo ordem na desordem dos fatos que ocorrem no dia a dia, violando ou não a realidade coloca uma seleção de ações e palavras significativas, por trazer tudo isso de um mundo que ele mesmo é protagonista.
Vejo neste romance de Buzo ao ter passado as vistas, tenho que mencionar mais as qualidades literárias do que propriamente a história que envolve o romance, contando a você leitor, pois aqui se trata de uma descrição pormenorizada da obra em questão, e na mesma vamos encontrar os contextos sociais, as lutas de lideres comunitário para trazerem melhoria para a comunidade, é uma verdadeira história de vida em que se aparecem com clareza um conjunto de indivíduos que falam a mesma língua, têm costumes e hábitos idênticos, afinidade de interesses, uma história e tradições comuns, e com isso a obra prende a atenção do leitor.
Faço aqui uma observação em que Buzo usa muito o diálogo entre seus personagens, e nesses diálogos literários, de modo geral, podemos observar a presença de um protagonista em torno de quem a história se desenvolve que tem relação com o autor (p.19). “Os três futuros amigos, Das Antigas, Preto e Dan, ainda não se conheciam...”, e esses personagens se misturando com protagonistas, pois ei percebi que nessa obra de romance não temos uma pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento, o desenrolar do romance abrange toda uma periferia.
E é isso que vocês caros leitores vão se depararem na obra em questão, que eu descrevo como periferia pura, aqui não tem nada supérfluo, as coisas aqui são pela razão especifica, as palavras são colocadas e ditas para a função de impulsionar a história, revelar algumas informações, expor a personalidade dos personagens com precisão, escolhas de palavras necessárias ao romance, sem uma desordem de palavras, o romance transcorre nitidamente com a escrita de um autor que sabe o que deseja expressar pela literatura, por tanto, essa obra tem sim seu valor na literatura brasileira, atente a esses aspectos críticos literários, que observem a capacidade de Buzo dar a seus personagens a voz própria.
Em seus capítulos de ano em ano, nos dá essa noção de tempo que é muito comum em obras literárias de romances, e em “Anos 2000” (p.54) capítulo V, ainda está; Preto e Dan tentaram formar um grupo de rap..., percebam leitores a história vem se desenrolando naturalmente sobre os personagens, eu entendo assim, sem aquela pessoa que desempenha ou ocupa o primeiro lugar num acontecimento, nessa obra o que se percebe é a vivencia de personagens, e sabem por que afirmo isso, podem perceber em: “Dan acordou às 7 horas da manhã e saiu para trabalhar, quando passou em frente ao barraco de preto”... (p.71), e mais a frente vocês leitores poderão observar o que digo, Buzo usa Da Antiga, Dan e Preto, como os protagonistas, que se misturam com os personagens do romance, gostei muito deste estilo usado, ou já era determinado, ao escrever este romance encarecendo-as, inúmeras ideias apreciativas na obra.
O interessante nessa obra é a forma que Buzo escreveu, pois o básico é na forma como quer, ou melhor, desejo que o leitor tenha contato com os personagens ao longo da leitura, pelos tipos de informações e sensações que ele quer passar ao leitor, particularmente eu me senti assim ao passar as vistas nessa obra, notei também que Buzo coloca os personagens em confronto, a força dramática do romance, ficção ou não, digo isso, pois capítulo 10 remete a vida real, (p.124), “O futuro a Deus pertence, você é o que você planta”. Tem conversas com um potencial de um diálogo transformador sobre o título da obra, apresentando sua visão de mundo, que pode ser diferente do leitor, mas que impressiona o leitor ao ler a obra em relação aos próximos acontecimentos do romance.
Acontecimentos esses que te levam a sonhar, pois na obra de Buzo percebesse o caminho que ele quer nos direcionar. Não como o dono da razão, por que todos nós temos o livre arbítrio.
O livro tem um tom dessa literatura brasileira marginal, não apenas porque conta a história de amizades, pessoas que querem realizar seus sonhos a meia turbulência dos perigos da vida, cercando o cenário periférico, o desafio foi bem menos expressivo do que escrever poesias de cunho social, pois prescindia da história e do transporte há outro tempo, não tinha também a responsabilidade da recriação de algum personagem real, o que sempre foi para um autor o processo repleto de dilemas éticos e literários, e assim eu particularmente, e por tomar a liberdade de resenhar esta obra, tenho a mesma como uma das melhores de Buzo, tanto pela escrita que desenvolveu como pela criatividade da qualidade do livro, suas ilustrações e, para não deixar de fora Crioulo e Jessica Balbino.em suas menções.
Quem ler esta obra acredita, eu que vai pedir mais, ou vai ficar um sabor de quer apreciar mais obras de Buzo, não por conhecer pessoalmente o autor, não por ter me dado oportunidades de mostrar meu trabalho, e sim porque li um livro de um escritor oriundo das favelas, da periferia, da comunidade como eu, mesmo por que ele sempre me diz, não fiz nada mais do que você fez por merecer, essa humildade também vamos encontrar na obra de Buzo, pois como o título que elaborei para essa resenha, somos profissionais da periferia, a arte está em cada canto, esta no talento de cada periférico, na literatura, no hip-hop, no grafite, no cinema na quebrada e no teatro, por tudo isso que não podemos deixar de ler esta obra, e tantas outras do autor e, esperar mais uma bela obra, pois com certeza é um profissional das letras.
E se esta resenha não teve o final merecedor é por que essa obra de Buzo com certeza não pode ser resumida em uma resenha, quem se arrisca fazer mais resenhas desta obra sinta-se com o dom da profissão periferia, valeu!

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