domingo, 5 de abril de 2015

RESENHA DO LIVRO #pOuCaS PaLaVrAs# - Renan Inquerito.


BASTAM AS PALAVRAS.
Por: Germano Gonçalves.

A forma o jeito de como é feito, ninguém é perfeito se falo muito ou falo pouco, o importante é fazer o improvável assim começo a tentativa de resenhar esta obra, que por sinal não é fácil não, pois o Inquerito nos presenteou com uma rica carga de elementos poéticos em sua obra, elementos esses retratado na poesia concreta, e propriamente dito no concreto, esse que nos ajuda erguer arranha-céus, o autor aqui nos mostra como o seu concreto ergue as dificuldades do dia a dia e, taca massa pra tampar as injustiças praticadas pelo sistema, de um Estado que só pensa em construir desigualdade, genocídio, prisão, miséria, classes e toda uma bagagem contra os menos favorecidos.
Inquerito em sua obra nos traz a poesia como solução, como uma arma para podermos atirar para todo quanto é lado, e arma ele tem de montão, pois também usa o microfone na mão para detonar a repressão, pois além de poeta também é MC, compositor e professor de geografia.
E nessa obra misturam de tudo um pouco, letras, fotos, figuras e da um visual para a literatura.
Eu já ouvia falar de Inquerito e todas as vezes que ouvia, eu sentia que esse camarada iria incomodar muita gente, pela sua especificação de características que distinguem um conceito de outro do mesmo gênero, aumentando-lhe a compreensão de suas palavras, mesmo que ele diz aqui que são poucas palavras, eu retruco e digo, bastam às palavras de Inquerito, para nos colocar contra tanto sofrimento que nossa comunidade passa, por causa do descaso desse poder publico.
Pois bem tive a oportunidade de conhecer e, mais ainda estar no mesmo palco que ele, no 1º Festival literatura marginal na Fabrica de Cultura do Capão Redondo, organizado pelo escritor Ferréz, certo que ele era o protagonista, e faz merecer por isso, percebi ali o quanto quer falar, seja em muitas ou poucas palavras, mas dá o seu recado contra este sistema, e logo percebi a sua característica de inquietação, pois com um megafone na mão, sentado em uma poltrona, não aceitou aquela posição e logo se levantou, anunciando suas palavras, foi show.
E em sua obra aqui expressada podemos notar esse anunciado, dar este recado na poesia concreta “Inspir - ação” (p.17), e atingir quem quer que seja.
Estando sempre aliado às causas sociais, ao pessoal de baixa renda, que luta por um mundo melhor e, é contra essa corrupção que instalou no Brasil, por isso encontramos em sua poesia “Sonh – a dor” (p.24), um desejo de não nos deixar levar pelas coisas alheias, ou coisas que fabricamos nas empresas que trabalhamos, e não podemos comprar seu produto, deste país capitalista comandado por empresários burgueses, e correr somente pelo que acreditamos, e não se contentar com o que já temos, e parar de lutar jamais, pois se já ganhamos uma batalha, não nós devemos é ganhar a guerra, e o sonho se deve continuar sempre.
A obra é farta em poesia concreta, cheia de sobreaviso, cuidado os ratos estão por aí, mas eu particularmente gostei da maioria das poesias, mas a que me chamou a atenção foi sem dúvida alguma a poesia, “Negreiro” (p.34), tanto pela estética usando o que ele usou muito bem nessa obra, o preto e o branco, mas pelas suas poucas palavras, que como se diz no ditado popular; “Pra quem entendeu um pingo é letra”, como eu disse gostei da maioria das poesias, e a que nos faz refletir, em pensar que o dinheiro é tudo, ele nos chama a atenção por este nosso país capitalista, na sua poesia U. T. I. (p.30), para que demos mais atenção às causas sociais da comunidade, eu vi quase que como um grito, vamos salvar nossa gente!
E por falar em grito seus alertas continuam, nas suas poesias “S. U. S., Plástica” e nada melhor do que; “Aviso ao Governo” (p.36, 37 e 38), será que esta obra deveria se chamar poucas palavras mesmo? Gente o cara é bom sabe colocar o suas ideias como que tem agudeza de espírito; perspicaz e é muito penetrante, e não podia deixar de mencionar, como o autor é professor de geografia, e como um geógrafo, me fez admirar por demais sua poesia, “Chorume” (p.44)
A obra é repleta de advertências aos adolescentes e jovens de periferias, e aos perigos que ela nos proporciona, é gentil em se lembrar, em partes da elite branca, ao mencionar as garotas que sonham com o mundo da moda, também avisa-las de um perigo em sua poesia, “Fome Fashion”, (p.51), sem querer ofender pessoas, mas a visão imaginária que a mídia coloca, sobre essas garotas e, suas famílias que correm sempre pela corrida do ouro, sem saber como já dizia o poeta, que o ouro é o; Ouro de tolo.
Sim as poesias e as palavras de Inquerito nos trazem reflexões, para uma sociedade mais justa, faz nos voltar para nossa consciência, nosso espírito, sobre nós mesmo, para examinar o nosso próprio conteúdo por meio do entendimento, da razão e lógico das palavras do poeta. Eu quase que imploro leiam essa obra, sei que após essas poesias aqui mencionadas até o momento, aguçara muitos leitores, pois tenho que ser breve e deixar você leitor também entrar nesse processo de atração que a obra nos harmoniza.
Realmente são poucas palavras, mas com uma afetação de comportamento ou procedimento, e que você leitor deva saber se deve ou não modificar preceitos, pois assim o faz e faz bem nosso autor nos transmitindo com eficácia ao leitor, as ideias ou mensagem contidas em cada poesia sua, que me arrisco aqui a situar; Pixote – “Nutrido de revolta e ódio, sem Neston, derrete com os olhos o freezer da Kibon”. (p.71).
Leitores apreciem essa obra, cheia de irreverências também, porque o poeta também ri, brinca, chora e socorre com suas palavras.
Nessas poucas palavras temos poucas e boas palavras, tem palavras para professor, malandro, jovem, artista e tem até apologia, para conquistarmos as nossas coisas do dia-a-dia.
Só quero voltar um pouco e dizer que achei magnífica, e de uma ideia impressionante a poesia concreta, bem no estilo mesmo assim eu considero; Videocassete (p.21), temos que estar sempre atento, saber aquilo que nos castigou, pra lembrar o quanto foi difícil, por tanto, só com a memória de nossa história poderemos entender o passado, viver no presente para construir um futuro promissor.
Já que voltei um pouco, apesar de querer falar sobre isso mais a frente, talvez fale e se não falar já falei aqui, é sobre o livro em si o seu físico, a capa e o miolo, pois eu acredito que todas as coisas são simples como o preto e o branco e pronto.
Sempre vai valer ler obras dessa qualidade, sei que o Inquerito está nos corre, e sempre estará, pois agora que pegou a causa vai defender com personalidade.
Mencionar o estudo das condições e dos efeitos da criação artística, ao menos desta obra, eu destaco como que tem qualidades variadas e numerosas em um determinado gênero de atividades, ou mesmo de modo geral, pois você leitor poderá observar uma poesia concreta, com a forma que o autor colocou e, eu assino em baixo, são versos e estrofes que se misturam com letras maiúsculas e minúsculas, em destaque com negrito, podemos notar a presença de estilo como a xilografia, e fotos vivas de uma periferia que parece saltar das páginas desta obra e participar com o leitor, figuras que tomam a página inteira, mas acompanhado de uma boa reflexão, e tem poemas escritos seguindo a risca da poesia concreta.
Inquerito é merecedor dessa obra, tanto pelo seu conteúdo como pela qualidade do livro, não poderia terminar essa resenha sem mencionar, não nome por nome, mas todo pessoal que fez parte deste maravilhoso trabalho, desde o editor, o fotografo, o ilustrador, o organizador, revisor e até a nossa querida colaboradora Jéssica Balbino, eu falei que não iria citar nome, mas desculpem quem não citei, mas a Balbino não poderia de fazer, pois tenho um carinho especial por ela, e isso leitor nos mostra o tão quanto este trabalho é sério e digno de ser apreciado.
Só mais uma coisa e no decorrer da leitura vocês leitores vão deparar-se com aquilo que denomino formidável nessa obra, o autor quando de começar o 3° Capítulo “GRANDES PALAVRAS” (p. 120 e 121), é incrível sua decisão vocês leitores vão ler e tirem suas próprias conclusões, que eu sei que serão as melhores, para dar uma pequena amostra do que seja, e veja se concordam; “Poucas palavras que são Grandes palavras”.
E faço aqui uma observação sobre o sumário da obra, bem elaborado gostei muito, dos prefácios com escritores a altura do autor, mas o que me chamou a atenção foram os capítulos no estilo poesia concreta; Apresenta – cão, poucas palavras, meias palavras, Grandes Palavras e sem palavras, muito bom mesmo, eu arrisco e digo: A obra é mesmo sem palavras, mas com cem palavras apropriadas!
Inquerito está de parabéns pela sua obra, e eu não poderia terminar essa resenha sem mencionar aqui duas poesias fundamentais ao meu entender, são elas a poesia; “Rosa do Morro” (p.135) e “Geografia a queima roupa” (p.138), por que nos remete a pensar, que sempre achamos que a culpa é do outro, ou que as coisas só acontece com os outros, para que não nos sentimos superiores, e pensarmos que nós mesmo somos capazes, que podemos sim mudar comportamentos, que nossa cultura é forte, não precisamos provar nada pra ninguém, e nem ficarmos olhando as coisas dos vizinhos, achando que elas são sempre melhores do que as nossas, temos que ir sempre avante.
Gostei muito do que li e recomendo sim, esta obra, essas palavras, esta poesia concreta que vem lá dos movimentos de vanguarda e, que agora aqui bem tratada por Inquerito que com esse estilo de poesia em suas palavras, vem questionar, incomodar com palavras em alinhamentos geométricos, buscando essa forma para veicular sua expressão poética, com toda preocupação na materialidade da palavra, pois também é musico sim, compositor e Mc, juntando tudo isso em poucas palavras soube dar um visual a suas poesias.

Homenagens prestadas nesta obra mostra a humildade das palavras e da pessoa, por tanto faço essa cortesia ao Inquerito com essa resenha. E nessas poucas palavras ele disse tudo, e com certeza bastam às palavras, valeu!

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