terça-feira, 14 de abril de 2015

RESENHA DO LIVRO: Família Periferia – nivelando por cima, de Almerio Barbosa.


POR CIMA, POR BAIXO E DE LADO.
Por: Germano Gonçalves.

03/05/2014. Tive o privilégio de conhecer Almerio Barbosa e sua obra: “Família Periferia – Nivelando por cima”, e já me senti da família. Pois somos família periferia sim, de todos os lados, por cima, por baixo e de lado em qualquer ocasião, e acho que Barbosa relata muito bem o que é isso, a família é à base de tudo na vida do ser humano, e logo nas primeiras páginas deste livro, vou descobrindo o belo e criativo poeta, e sei que emoção caros leitores aqui vocês encontrarão, e não posso deixar de lhes avisar, desde já leiam Barbosa e sua obra.
E como eu disse; logo no prefácio (p.09) deste poeta já nos revela sua familiaridade com os ser humano, a preocupação para que não caia nos perigos da vida, e que cada um tem que rever seus conceitos, elevar sua autoestima para não cair em armadilhas, preparadas para com todos, e que todos nós devemos ter é atitude. Pois bem leitores como eu, vamos perceber nas páginas desse poeta um grande ensinamento, que não está na escola pública, na faculdade e nem nas instituições educacionais, está na alma de Barbosa, em sua vivência, e seus poemas nessa obra vem como velhos ditos populares, sempre nos avisando de alguma coisa de um inimigo ou de um perigo.
Em seu poema “Atitudes e Consequência” (p.16), já nos da essa noção de provérbios, com um “Senão” que ele coloca num estilo bacana de poema que ele proporcionou, destacando a palavra entre duas estrofes, muito bem pensado, e pensar já é próprio do poeta e, Barbosa é o poeta que já nos mostra suas observações, profundas, sobre determinados problemas que aflige os menos favorecidos, mas que devemos estar em eterna evolução, e nos mostra bem isso em seu poema; “Temos muito valor” (p.19), realmente este poeta promete, pois busca a sabedoria de tempos atrás para advertir-nos aos tempos atuais que a modernidade esta aí e nós devemos agir e não ficar se lamentando.
Eu li a obra de Barbosa e a cada poema, pensava no próximo e assim foi até o final da leitura, mas para resenhar Barbosa, nossa! Pensei eu vou ter que mencionar todos os poemas, pois do contrário vou ser injusto com ele, mas como aqui tenho que ser transitório para que você leitor tenha a vontade de ler essa obra, serei breve e com certeza vai apreciar o aqui escrito, relatos de uma fidelidade que só quem é poeta como Barbosa soube transmitir como quem tem as qualidades essenciais à sua natureza, menciono isso por ler e apreciar seu poema “De Natal a Natal” (p.20), nos faz assim uma via sacra, pois o objetivo é alertarmos que depois do natal vem o carnaval, páscoa, dias das mães, dos namorados, dos pais e assim por diante, mas que não necessariamente precisamos das datas comemorativas para comemorar o amor ao próximo, o que gostei desse poema, como vocês também vão perceber se usarem a sua parte mais intelectual é a questão de que a maioria de poemas sobre natal, falam muito do dia de Natal específico e suas alegrias, mas este aqui fala de natal a natal, a batalha continua, muito bom.
A obra da um destaque muito gratificante e preciso aos seres humanos, pois não era pra menos em se falando de família, nós somos uma grande família toda a sociedade junta é especial, e citei gratificante porque traz muito conhecimento alertando as crianças, adolescentes e jovens dos perigos da vida que aqui mencionei, e ele traz isso de uma maneira que não se pode deixar de ouvir, após ler, em seu poema “Conhecimento é poder” (p.24), posso dizer que ele usa uma linguagem que marca e nos faz lembrar-se da frase; “Colocar a tranca na porta depois dela arrombada”, com suas perguntas citadas no poema. E não só pergunta as quais se reservam em alertar, mas em cobrar também das autoridades, dos grandes empresários que só dão valor aos dominantes, o que há de melhor em uma sociedade ou num grupo; esquecendo-se dos humildes que fazem este país andar.
O poeta ainda traz em seus poemas o sentimento de dignidade pessoal; brio, altivez, mas não somente seu, mas de todos os povos que precisam se olhar como irmão nos traz também o amor de mãe tão falado e sentido nas periferias, não que não tenha em outras áreas regionais mais beneficiadas socialmente, acontece que na periferia as mães são verdadeiras guerreiras, se o homem não faz elas comandam mesmo com todo o sofrimento social suas tristezas e amarguras vão à luta, como o poeta encerra seu poema; “Mãe – a mais bela criatura” (p.34),... Com o homem que a merecer.
Esse poeta fala, em seus poemas e como sabe exprimir por palavras, de uma violação as crianças, não só fala, mas grita por conquistas e justiça, por direito para toda humanidade, o que notei nessa obra em que se trata de periferia, vamos dizer assim, mas o poeta está preocupado e pede mais amor para o mundo, e pede paz e mais entendimento entre as pessoas, então vejamos em seu poema “Suicídio Coletivo Consciente” (p.46), onde as pessoas estão preocupadas com a tecnologia, e pensam somente em um grupo, ou uma classe e esquece-se de um todo, ficam organizando coletivos olhando para o lado material sem entender o social, que pede socorro.
Para que você leitor entenda os grito deste poeta, assim como eu vejo, leiam! Ele apenas pede em seus poemas que façamos nossa parte, mas que não nos esquecemos de ajudar o próximo, e que também não precisamos nos sentir culpado, e nos deixar ser manipulado, temos que perder o medo deixar de lado as inseguranças, e partirmos para o ataque e sermos unidos, por isso assim penso eu que ele escreveu o poema “Rebeldia Inteligente” (p.50), que nos alerta de que temos que ser aquela pessoa que se rebela contra a autoridade constituída; insurgente, revoltoso sim, mas com sabedoria para não nos darmos motivo e nem ser condenados como observaremos no poema.
Parabéns mesmo pela obra, a qual não poderia chegar ao fim deste meu relato sem mencionar seu estilo, um a qual já referi aqui sobre os ditos populares muito bem colocados na obra e até mesmo, provérbios “Á periferia o que é da periferia” (p. 26), mas o que realmente me chamou a atenção foi à estética que usou em forma de poesia concreta, me fez ver um poeta completo, página em preto, com um quadrado branco na parte inferior da página, com dizeres em preto, muito bem elaborado, página com uma letra maior, não maiúscula, letra grande mesmo em destaque e abaixo letras menores, e ainda páginas com versos nos cantos das mesmas, colocando assim a sua criatividade para os leitores apreciarem o que o poeta tem de especial, mas a que eu gostei mais em se tratando de poesia concreta, misturada com poesia marginal foi o poema R.A.P (p.52), que ele intitula essa abreviação Revolução Amor e Paz, incrível ao meu ver, gostei muito, e para finalizar os desenhos em tirinhas lembrando crianças, que capacidade criadora esse poeta nos mostrou, pois ele mais adiante nas páginas finais encerra sua obra com essas poesias concretas com seus belos versos, e isso vem a certeza de que não vai parar nessa família não, que venha mais por aí, nós vamos adorar, poder compartilhar de mais trabalhos poéticos de Barbosa.

Sem medo de confundir-me caro leitor não tenha medo de não acertar a escolha, pois se optar por ler essa obra com certeza não vai se arrepender, e mais ainda vai querer fazer parte dessa família periferia nivelando por cima, por baixo e de lado.

2 comentários:

Almerio Barbosa disse...

Emocionado, muito emocionado. Sempre busquei isso, mas a não por esse maravilhoso escritor e amigo, ninguém havia feito um comentário tão completo sobre esse livro. Concordar ou não com essa resenha, é com os eleitores, embora eu tenha adorado. kkkkkk

Germano Gonçalves disse...

Amigo das letras, nós poetas temos que andar juntos, já foi o tempo em que os poetas andavam sozinhos, que bom que gostou, valeu