terça-feira, 14 de abril de 2015

RESENHA DO LIVRO: Crônicas Perdidas de Jean Mello.



PERDIDAS, PORÉM ACHÁVEL.
Por: Germano Gonçalves.

Conheço Jean Mello e sua obra, procurarei aqui não falar do amigo que é, e toda minha consideração a sua pessoa, pois vou aqui apresentar os fundamentos, de sua obra e toda sua maneira de entender ou interpretar as coisas, com integridade, mas serei breve como manda uma boa resenha.
Porque as coisas devem ser encontradas, e entre (pessoas ou coisas); no meio que vivemos é preciso recriar o mundo, em Crônicas Perdidas, Mello quer nos direcionar, ou melhor, nos atentar a ver com atenção; examinar cuidadosamente, as coisas do mundo, os afetos das pessoas o grau de formalidade ou de intimidade entre os transeuntes de uma cidade, pois aqui nessa obra o autor nos revela a sua capacidade de notar um vazio nas pessoas, o desinteresse por uma cultura digna, que pouco andou pelas ruas da cidade, as pessoas se mostrando apressadas, muito já atrasado, o orgulho de quem anda de carrão e passam do nada para o nada, como o autor nos menciona em sua primeira crônica: “O pouco que vejo em minha cidade...” (p.15), onde eu extraio essa parte do texto; “Foi angustiante ver os carros passando, no transito da vida, com pressa, ou nem tanto assim, em direção ao nada que os esperam”. Nota-se que a humanidade esta cada vez mais em um pensamento próprio, diria egoísta e como se diz, pensando em seu próprio umbigo, pois Mello seguindo seu texto nos faz lembrar que todos nós vamos para o mesmo lugar, e que desta vida nada se leva.
Esta obra muito espetacular, tanto na qualidade como no conteúdo onde Mello nos relata fatos sociais com firmeza e coerência de atitudes, e com um grande domínio de si mesmo, então caro leitor lhes digo que só lendo essa obra, poderá perceber a grandeza e a qualidade ou estado de proeminente que as palavras aqui escritas junto com os relatos reais do dia-a-dia, vai te impressionar e fazer com que se tenha outra visão de mundo, que o autor nos apresenta.
Mostra aqui em seus relatos, um processo ligado essencialmente à ação, à consciência e à situação dos homens, e pelo qual se oculta ou se falsifica essa ligação de modo que apareça o processo (e seus produtos) como indiferente independente ou superior aos homens, seus criadores, aqui leitores no decorrer das descrições podemos notar um estado de espírito, em que encontramos um Marx; (ver marxismo), situação resultante dos fatores materiais dominante da sociedade, e por ele caracterizada, sobretudo no sistema capitalista, em que o trabalho do homem se processa de modo que produza coisas que imediatamente são separadas dos interesses e do alcance de quem as produziu, para se transformarem, indistintamente, em mercadorias. Ou até mesmo um Hegel; (ver hegelianismo), processo essencial à consciência e pelo qual ao observador ingênuo o mundo parece constituído de coisas independentes umas das outras, e indiferentes à consciência -- independência e indiferença serão negadas pelo conhecimento filosófico, dando muito valor a esta obra, e o quanto posso afirmar que tudo isso foi pensado por Mello, vai nos remeter a rever educadores, que fazem a diferença em um ensino mais qualificado para o lado social, sem repressão e mais humanidade, dando toda importância para a escola um lugar que Mello destaca em seu capítulo denominado de; “A importância da comunidade escolar...”, (p.24) colocando os professores como uns verdadeiros heróis, ainda as instituições não governamentais, os terceiros setores, mas não se esquece da criança que vai para escola por causa da merenda, esse escritor está me saindo um belo educador, e é só você leitor ler essa obra que vai concordar comigo, faz nos retomar a escola de gaiola muito comentada pelos professores do ensino universitário, em referencia ao grande Ruben Alves, e Mello nos torna grande também por que é entendedor de uma educação mais humanitária, com a participação da família, escola, estado todos em comum acordo para termos um ensino de qualidade.
As crônicas perdidas caro leitor deixo-as para você ler, e afirmo será de grande importância, não apenas por mencionar Mello como educador, que suas crônicas servem só para professores, mas entendamos que Mello é um ser humano, que sabe muito bem como escritor colocar as dificuldades de uma sociedade e de quem as pertence, pois menciona em seus relatos, a juventude, os problemas sociais, tendências do pensamento, ou modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas, em se tratando do racismo, afetação duma virtude, dum sentimento louvável que não se tem., em seu texto; “Racismo ao contrário: pura hipocrisia” (p. 39) como uma impostura, fingimento, simulação, falsidade, e entre as funções de exprimir a falta de informação sobre determinado fato, a qual é pedida ao leitor, e que se caracteriza pela presença de pelo menos um dos seguintes fatores: entonação interrogativa, ou a inversão da ordem de valores de uma sociedade, conseguirá nós, nos salvar ou estamos mesmo perdidos á nossa própria sorte ou as crônicas da vida real.
Não deixem de ler esta obra, pois não pode ficar no anonimato os ideais deste autor, que nos leva a reflexão da vida, das causas sociais, que aflige com a afetação duma virtude, dum sentimento louvável que não se tem, e que para tanto como ele afirma em: “Continue a escrever o livro da vida” (p. 50), para que não vivemos a deriva, nesse texto vamos dizer assim ele traz menções bíblicas, para nos alertar perante a qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro, por tanto ele afirma; (p. 51)... Viver todos os dias como o último e, ao mesmo tempo, o primeiro, por que também afirma que a vida é só uma, não se tem segunda chance, então façamos o melhor.
Diferente de muitos jovens, pois Mello é jovem ele tem a consciência de que o tempo passa, e esse atributo não é só para com ele, pois quer chegar à velhice e poder dizer, o racismo acabou não existe mais injustiças, mas que fique bem claro em forma de reflexão, como ele mesmo afirma em: (p.64). “Estou propondo, aqui, apenas uma reflexão, Uma junção de realidade... para diminuir as discrepâncias”, e isso caro leitor ao ler a obra de Mello você percebera que ele coloca muito bem direto e sem rodeios. E se preocupa também com o que irá dizer aos seus filhos, percebem leitores a atitude de quem visa a um resultado ou forma um projeto, isso que Mello é jovem.
Chegando ao fim dessas maravilhosas páginas, tenho que mencionar isso, (p.68), “Feliz dia das Mães”, aqui ele agradece por ainda poder dar feliz dia das mães, e menciona quem não tem mais esse privilégio, e nos atenta para que todos tenham que compreender as crianças que são abandonadas, e respeitando todas as mães independentes das suas situações familiares a qual elas se encontram, eu gostei muito deste texto, Mello está de parabéns.
E por falar em terminar esses relatos, no começo disse que não iria falar do amigo escritor, e não vou falar não que não mereça, pois teria que lhe direcionar uma autobiografia, para falar desse grande ser humano, que diz não ao sistema, e quer estar fora dele, e não quer contribuir para construir um, pois bem, só quero caro leitor dizer que este autor, que eu digo não querer falar dele, ele falou de minha pessoa, me fez uma homenagem nessa obra, com um conto que escrevi, (p. 80). “O homem que queria todas as coisas”, aqui quero agradecer por mencionar em sua obra minhas palavras.
E assim termino esse relato, mas não sem antes dizer que Mello também é um escritor periférico, e gente da gente, sente em seu coração que tem por obrigação fazer algo pelo social, e como se pode notar aqui nesses escritos, mais ainda pela educação, que ele tanto clama por justiça, as crônicas aqui perdidas, mas que fique a dica, tudo pode se encontrar como diz um provérbio português, “Até as pedras se encontram”, Estaremos perdidos entre as crônicas de Mello, mas, porém achável.

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