terça-feira, 7 de abril de 2015

RESENHA DO LIVRO “Cordel Parque São Rafael”.




“SE ESSE CORDEL FOSSE MEU”
Por: Germano Gonçalves.

É sempre bom andar pela minha periferia, ou pelas periferias, e o melhor ainda quando deparamos com trabalho que leva incentivos à leitura, como este livro preparado e organizado por Fátima Magalhães, Parque São Rafael em Cordel, é quase como uma missão, é algo que está dentro do eu de cada pessoa, que ainda não se descobriu em seu lugar, mas que Magalhães está aí para ativar essa memória, nesta obra podemos realizar nossa caminhada, desfrutando de bons cordéis e textos direcionados em palavras, sobre a literatura de cordel, contando a história do Parque São Rafael, que eu particularmente tenho esse bairro como minha terra natal e, vejo o cordel como uma literatura marginal de periferia, certo de que existem os escritores populares, reconhecidos, renomados no gênero como; João Martins de Athayde, Manoel Camilo dos Santos, Patativa do Assaré como tantos outros que tem seus nomes na Academia Brasileira de Literatura de Cordel, mas os independentes, os que estão às margens das grandes academias, são esses que me faz ter orgulho da minha periferia, e para contar a história do bairro Parque São Rafael Zona Leste da Capital de São Paulo, Magalhães não escolheu melhor, pois nesse lugar, muitos são os povos que vieram pra cá oriundos do nordeste brasileiro, onde esse gênero literário é muito forte, e não somente pelo cordel, mas também pelos seus cordelistas, os autores José Clementino de Carvalho, piauiense e é morador do bairro há mais de quarenta anos, e Luciano Diniz é paulista, mas de genitores nordestinos, por tanto não poderia de sair um belo trabalho.
E mesmo com os próis e os contras que sabemos que existe, ainda mais se tratando de região periférica que muito ainda tem a conquistar, essa obra vem também alertar que devemos sempre ir avante, carregando nossas ideologias, não como o dono da razão, mas expressando palavras que saem do coração desses cordelistas em gratidão a esse povo periférico, que tem a esperança de um mundo melhor, por ser um povo tão castigado pelo sistema, tão sofredor e não merecedor da herança que este Estado nos deixou, lutando contra os descasos do poder público sem a dominação ou preponderância das facções populares, apenas um cordelista, escritor e professor que quer levar a comunidade sua história, e mostrar que também somos alguém, que a periferia é terra de bem e precisa ser olhada com mais carinho.
Resenhar essa obra e não comentar sobre Fátima Magalhães, não ficaria tão boa como a obra, mulher que ao conhecê-la já me passou um dinamismo e uma atitude invejável, em se tratando de batalhar para as coisas andarem em seu bairro e nas regiões aqui da Zona Leste de São Paulo, mais precisamente no distrito de São Rafael, mulher guerreira para com todos os assuntos sociais, prestadora com a população e toda comunidade de seu entorno, eu me sinto orgulhosos quando de um convite seu para participar dos eventos que ela organiza que não se resume só nesta obra, mas em festejos de aniversários de bairros e, faz um belo trabalho de plantio de árvore, para preservar a natureza, carrega sozinha a sua batalha de investir e anunciar seu projeto: “Se esse bairro fosse meu”, entre tantos outros, e ainda é membro e já atuou como presidente do Conselho do bairro, com isso conseguiu publicar como historiadora que é, está obra que nos encanta aos passos do cordel, e mencionar aqui também seu amigo e parceiro na organização desta obra Plácidio José dos Santos, homem de atitude perante a escola Municipal Cidade de Osaka da região em que atua junto à direção.
Está obra é dedicada à memória do bairro, como já ponderam perceber caros leitores, por pessoas que fazem a diferença na região, e se falando da obra ela nos traz o inicio do bairro que se confronta também com a história de nosso Brasil, já que nas primeiras estrofes do livro podemos perceber a região sendo uma enorme floresta de índio choupana (pequena casinha de palha feita pelos índios) (p.11) e grande fauna existente, nos remete também a importância do coletivo, e a solidariedade prestada aos primeiros moradores que queriam construir em seus já pedaços de terras, mas não tinham materiais, pois foi doado a eles algumas telhas e tijolos e assim seguiram as construções, conta ainda ao sabor de um delicioso cordel os primeiros comércios, a primeira igreja, a primeira instituição escolar, as primeiras estradas levando para outros municípios, pois Parque São Rafael faz divisa com Mauá e Santo André municípios da região do Grande ABC Paulista, e assim de cordel em cordel Parque São Rafael vai ganhando forma, sua paisagem vai mudando, e vai se atingindo no que é hoje, certo de que ainda muita coisa tem que ser feita, mas vamos sempre avante.
Homens que viram de perto a construção do bairro, hoje como conta nos versos do cordel: (Hoje Parque São Rafael, é um bairro de aposentado, que vieram de vários lugares, hoje estão “sossegados”, pois deixam seus familiares, desfrutando o seu legado). (p.19). E se nesse cordel o bairro cresceu, graças aos moradores que investiram um pouco, instalando os primeiros comércios, pois o bairro também sofre com o descaso público, e por vontade própria o na atualidade o bairro tem os mais variados comércios, desde supermercados a agencia bancária, mas lembrando de que ainda se tem muito a fazer, mas o assunto aqui é outro, é falarmos da obra em forma de cordel, que agrada a qualquer gosto, e mais ainda essa obra deveria estar dentro de todas as escolas, estar dentro da sala de aula, nas mãos do professor servindo de material de pesquisa para os alunos, incentivando-os pela história do bairro e toda a sua geografia, e também como incentivo à leitura, pois esta obra tem seu valor também estético, eu gostei muito da forma que os autores colocaram as estrofes usando os versos em forma de sexteto da primeira a ultima estrofe, assim deu mais vida quando o leitor ler a obra parece que estamos entrando e acompanhado a história do bairro, os autores souberam dar o inicio da obra, juntamente com o inicio da história do bairro e finalizaram ainda melhor, bela obra que também tem destaque para as ilustrações, ainda mais que foi feita pelo aluno da EMEF CIDADE DE OSAKA escola da região, o Guilherme da Silva do 8º ano D, e colaboradores tiveram muitos, eu mesmo fui um dos colaboradores que levo a menção ao meu nome após o prefácio, onde tem os apoios culturais (p.05), é sim sinônimo de orgulho, pois é meu bairro e como costumo dizer; Minha terra natal. Essa obra saiu com muita luta digno dos moradores que também lutaram e muito para realizar as conquistas que o bairro possui hoje.
Espero que todos e todas tenham a satisfação de lerem esta obra, para quem não conhece o estilo cordel, para quem não conhece a história de seu bairro e para quem já conhece ambos, apreciem um dos maiores valores de uma região, os artistas independentes e suas obras, bem como os ativistas culturais que estão para nos dar mais cultura, nos incentivar para não aceitarmos hipocrisias, pois cada dia que se passa em uma periferia é um novo começo, e nesses seus relatos de pessoas da região que dividem espaços nos livros, cada um com sua história, mostra não só o carinho dos organizadores, colaboradores e autores pelo que faz, mas a trajetória dos moradores de cada lugar, as derrotas, as dificuldades, as tristezas, os descasos, mas também as alegrias, as conquistas, e por fim as amizades entre esses povos.

E de cordel em cordel vamos fortalecendo nossa luta em prol do Parque São Rafael. Boa leitura a vocês leitores, pois esta obra é pra vocês, valeu!

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