sexta-feira, 3 de abril de 2015

PORQUE O CORDEL É ASSIM! - RESENHA.

COSTURANDO O CORDEL COM NILDO DO CORDEL.
Por Germano Gonçalves.



Ah! O cordel, de tantas gerações decifrando os mais belos contos de um povo pacato, mas cheio de atividades, enchendo a cultura popular de sabedoria, fazendo um mundo encantado em forma de versos, descobrindo os maiores segredos que envolvem os mais atrevidos sonhos, como o de Francisquinha nesse cordel de Nildo Cordel que eu me arrisco aqui a resenhar, Nildo nos traz uma história ou um causo, pois assim fica melhor em se tratando de cordel, onde a inocência, a pureza e a simplicidade estão dentro da pessoa, mas que tem a hora certa para sair, e que a habilidade de enganar pode deixar a pessoa constrangida e não ter sucesso em alguns momentos e se surpreender mais ainda. Nessa história de “Francisquinha e a agulha de costurar virgindade”, o cordelista já no título nos anuncia um causo erótico, mas não explicito e sim com qualidade.  Na maioria das vezes como ele mesmo menciona em seus versos: “O que agora vou versar é fato, não é mentira”. Por tanto isso da mais vida ao cordel, onde se podem colocar cargas ricas de palavras para entoar o cordel, sabendo que um cordel faz soar; faz ouvir, e pode ser cantando.
Outro aspecto que se encontro no cordel de Nildo é que ele passa o conhecimento da geografia dos lugares, a cidadezinha de Cupira muitos não o sabe nos traz aqui, traz-nos o sitio lugar por poucos da cidade grande frequentado. Resgata um tempo em que há paz, tranquilidade, um clima sereno, sossegado envolvendo as pessoas, não se esquece dos dias santos, da importância da educação e nos remete a refletir sobre os políticos em dias de eleição. Traz-nos a tal malandragem do povo carioca, no bom sentido, mas não se esquece do povo paulista, relembra que os artistas sempre são chamego das moças do interior, essa cultura que une as artes com as pessoas, pois se o artista é descontraído com o seu jeito de ser ganha muito publico.
Já sendo do saber de todos que o velório é um lugar abatido moralmente, nos traz um lugar de encontro, como o causo que nos conta, mas também sabemos que muitos parentes que não se viam há anos se encontram nessas ocasiões.
E assim segue o cordel de Nildo para um desfecho que se faz jus ao título, onde ele usa da metáfora em algumas estrofes como o de número dezoito, que tem o verso “De costurar virgindade” e nos remete a refletir a um ditado popular que cabe bem em cordel; “Daí ela vem querer dar uma de boa moça e certinha”, e as mulheres ditas mexeriqueiras não poupam a língua e dizem: “Essas com cara de santinha são as piores”.  Para finalizar a obra de Nildo nesse cordel, e falar mais de sua estética e literatura, a moça em destaque na história fazia tudo de muito saber, pois se apresentava como tal a qual era ela mesma.
Para fugir do texto a literatura de Nildo nesse cordel nos traz um causo tradicional do nordeste brasileiro, que se refere as donzelas, pois muitos são os causos desse estilo, e Nildo pelo visto sabe muito bem elaborar essa faceta, no decorrer da história nos prende para sabermos o que realmente vai acontecer, e não desfechou com um; “Felizes para sempre”, soube manter em seus versos toda aquela alegria dos cordéis, procurou também em sua estética deixar as estrofes em sexteto e usando algarismos romanos para dar um estudo das condições e dos efeitos da criação artística.
Lógico que este causo ou essa história em cordel produzida por Nildo segue a linha dos cordéis com a capa sendo uma arte própria e feita sem utilizar tecnologia gráfica, e sim mais puxada para a xilogravura, e produzido em papel simples, para dar oportunidade de serem distribuídos gratuitamente pelo próprio Nildo, mas que isso nunca tira a importância do cordel, bem como de seu idealizador, apesar da internet, televisão, rádio, e dos livros o Cordel ainda é uma maneira das pessoas se manterem informadas sobre causos engraçados, polêmicos e muitas notícias importantes de uma região.
Certo de que não se da para definir uma literatura de cordel e um estilo próprio de Nildo do Cordel lendo apenas um cordel deste cordelista, tive a oportunidade de visitar seu blog e gostei muito do conteúdo e da qualidade, passei as vistas em alguns cordéis como; O pato, O pingo que pinga a pinga e me surpreendi com; O Auto de Natal – Quem espera sempre alcança uma ação dramática que muito admirei, por tanto em se falando de cordel, estou diante de mais um cordelista de talento nessa arte que está lançada ao vento, valeu!

Um comentário:

Nildo Cordel disse...

Meu caro amigo germano
Palavras muito leais
Para o cordel cordiais
Sem nenhum teor profano
Vindo de urbanista urbano
Parece coisa do céu
Escritas sem pano ou véu
E sem teatralidade
São palavras de verdade
Que engrandecem o CORDEL.