domingo, 5 de abril de 2015

ENVENENANDO A ALMA – RESENHA do Livro: Páginas envenenadas.



ALÉM DO VENENO.
Por: Germano Gonçalves.

Seria um crime de envenenar alguém, ou preparar um veneno que podemos dizer aquilo que nos envenena a alma, Miragaya soube tratar muito bem esse assunto, misturando veneno com suas poesias, com sua obra literária que é o que gosta de fazer escrever, sendo assim podemos usar essas páginas envenenadas como um desabafo daquilo que nos corrompe moralmente em nossa sociedade, o que podemos observar logo na introdução dessa magnífica obra; “Sim um mundo aonde as palavras vem com sede de justiça...”.
Então vamos nos mergulhar nesse veneno um ato de preparar um veneno para fins de nos intoxicar na filosofia de vida de Miragaya, assim como olharmos o mundo com outra visão, a poesia em todo quanto é assunto do cotidiano.
Miragaya nos mostra ao mesmo tempo um poeta revoltado, mas também sereno com suas poesias, que nos revela suas magoas, sofrimentos, descasos, tristezas e uma distância de tudo isso, nos trazendo a fé, confiança em conseguir o que se deseja. O poeta vem nos trazendo à infância, não como saudade, mas com aquele gosto de ter vivido uma infância de se dar orgulho, mesmo com todos acontecimentos que passam por nossas vidas, tantos animadores como dificuldades, mas nos deixa a entender que nesse contexto, soube se sair muito bem até porque escreve sobre esses assunto com determinação, e passa em sua obra o veneno amargo na língua, que podemos cuspir a qualquer momento e não aceitarmos morrer de um veneno que nos torna perversa ou mau; corromper, depravar, desmoralizar, por causa de um sistema que não estamos nem aí para seus problemas, por tanto, passando as vistas nas páginas desta obra, percebo o quanto temos que amar, e vejo isso no poema; “Minha São Paulo”, que o autor tanto ama e odeia como soube decifrar essa cidade. O autor sabe também muito bem dar seu grito de guerra, não aceitar as coisas como elas são, talvez por se sentir um revolucionário, posso dizer isso pelo o pouco conhecimento que o tenho, mas observei em seu estilo um introdutor de novos processos artísticos, como menciona em seu poema “Cansei”, pois ele também cansa, porque sentir cansaço é esperar o momento para agir e não desistir, mesmo que seu calo dói.
Como fez ode aos cães, fez também a poesia constituindo bênção ou proteção para seus poemas, pois isso ele fez com um vício de raciocínio que consiste em desprezar elementos necessários da solução, com toda sua habilidade de escrever, e finaliza ainda melhor; “Que abençoada, seja a poesia!”.
E vou passando as vistas nessas páginas envenenadas e vou descobrindo esse veneno, não como um liquido da morte, mas que as consequências em especial deste veneno, pode sim matar a fome, acabar com as injustiças sociais e que podemos sonhar com um mundo melhor para se viver, pois o poeta sabe que a vida é feita de perdas e ganhos e de muita luta, mas que as coisas ainda andam em seus lugares, e o poeta faz a sua parte, vê ao seu redor as coisas acontecendo, e sente que sempre existirá um novo amanhecer, mesmo com as dificuldades que ele o poeta e, que todos os seres humanos estão submetidos.
Tomei a liberdade de escrever essa resenha como podem observar, não porque Miragaya é do mesmo patamar que o meu, que somos de periferia, mas por ter me sentido prazer em ler seus versos, e muito apreciei ainda mais quando me deparei com poemas que denota ou revela graça e divertidos, talvez não seja seu aspecto formal de se escrever uma obra literária, como meio de expressão, mas confesso que gostei do que li nos poemas; “Obituário” que ficou bem registrado e no poema; “Pomba Branca”, será que vale a expressão popular; “Cagado de arara”. Esse foi um momento de descontração que o autor me proporcionou com seu veneno, pois em páginas envenenadas tem veneno de qualquer espécie, até mesmo os que matam, pois pode incomodar muita gente.
E a meu ver deparei-me com um estilo de poesia que admiro muito, se não é do gênero parece muito com a poesia concreta, gostaria sim de ver Miragaya fazendo essas poesias, mas que ele não sinta pressionado, pois o poeta tem a liberdade para fazer o que bem entender, e fazer bem feito, como essa obra bem feita pelo poeta, mas a poesia em questão é; “Corre! Corre!”.
Já que entrei nessa questão, observei muito o estilo do poeta entre suas estrofes, usa uma diversidade em sua estética, usando até versos raros como monossílabo isso encontrou na poesia; “Aquela palavra”, com cargas ricas de elementos poéticos valorizando totalmente a poesia, como também soube valorizar o poeta Manuel Bandeira, “Poeta Bandeira”.
E muitos poemas usando dissílabos e trissílabos, em seus versos e uma enorme posição de versos que se afastam progressivamente, se misturando entre monóstico, dístico, tercetos, quartetos e assim é o que eu digo, os poetas tem a liberdade de construir seus próprios versos, livres ou não, seguindo uma métrica ou sem ela, seguindo uma rima ou sem rimar, o que importa no meu ver é a expressão da poesia, o que ela nos quer transmitir, da onde ela vem e pra onde ela vai, por tanto, gosto desta desta obra porque ela nos dá a sensação de que o poeta acredita nas palavras, e as escreve até a última consequência, e espera o resultado final, pois percebesse que Miragaya sente a vontade, ou melhor, necessita dessa capacidade poética expressada através das suas limitações, mesmo que, eventualmente, nem todos estejam de acordo com elas.
Não poderia deixar de destacar aqui algo que me chamou muito a atenção, os títulos que Miragaya coloca em suas poesias, estão cheio dessa carga de elementos poéticos, essa carga que encontramos sempre nas palavras de outro poeta, pois nos traz as coisas da natureza afirmando que fazemos e dependemos dela então me arrisco a fazer um trecho com seus títulos; “Lua bonita sob a garoa de um fim de dia, que vai caminhando para uma boa noite de sono, não que seja contra tempo, mas para um novo nascer do sol, seja no campo ou no mar”. Com tudo as poesias desta obra nos trazem as estrofes de uns agrupamentos de versos, ou seja, conjunto que se encontram separados por um espaço em branco. O número de versos existente em uma estrofe pode-se variar daí temos algumas denominações especificas as quais vimos nessas páginas envenenadas.
Que este veneno se multiplique em uma segunda edição, ou em outro frasco (obra), que existam muitos venenos desta espécie, que Miragaya prepare não só veneno, mas muitos elixires, pois suas poções transformadas em versos tem efeito mágico e porque não miraculoso, pois sabe colocar no papel aquilo que as pessoas precisam para o bem da humanidade, a alegria, contentamento, satisfação de se ter algo a pronunciar através de suas poesias.
Estou certo de que já se revelou um poeta à altura de outros grandes nomes da periferia e da literatura marginal ou brasileira como queira urbana contemporânea.
Não pare poeta, siga seu caminho e seja feliz de verdade, não como o dono absoluto, mas com a humildade de seus versos, de suas palavras certas nos momentos certos, e com a certeza de que esta proporcionando com sua obra uma visão de mundo que nos da à expectativa de mudar comportamentos, de mostrar que aquilo que sabe fazer, pode alcançar um lugar de destaque no mundo, pois tenho a certeza de quem apreciou essa obra, pensou em um poeta humano, que junto aos que lhe cercam sempre colocará a palavra de maneira exata, correta; com precisão, como o fez nessa obra que provei deste veneno e com o gosto amargo na língua, degustei e matei, não a minha morte, mas a sorte de ter conhecido o poeta e sua obra, valeu!

Conheça o autor:

Nenhum comentário: